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Karina Almeida/ipcdigital.com
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Deyson Baptista Thomé, 47, de Ogaki (Gifu)
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Deyson Baptista Thomé, 47, de Ogaki (Gifu), não é descendente de japoneses e, portanto, não será prejudicado caso o vice-ministro da Justiça do Japão, Taro Kono, consiga emplacar a idéia de acabar com o visto especial para nikkeis. Mesmo assim, Thomé, que foi casado com uma brasileira nikkei e mora no país há dez anos, está preocupado e decidiu fazer uma petição on-line – uma espécie de abaixo-assinado virtual – para defender os direitos dessa comunidade. “Será uma tragédia se os nikkeis que estão trabalhando aqui no Japão tiverem de voltar para o Brasil”, diz.
Com a ajuda da NPO Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão (Sabja), Thomé pretende disponibilizar, o pedido (em português e em japonês) na internet e esperar que os brasileiros acessem, leiam e assinem. Como se trata de internet, nesse caso assinar é deixar o nome, endereço e e-mail. A petição é destinada ao ministro da Justiça japonês, Seiken Sugiura, apesar de ser o vice-ministro Kono, o porta-voz desse projeto de lei. “Explicamos que essa petição será assinada pelos brasileiros que moram no Japão e também pelos nikkeis que estão no Brasil e seriam afetados com as novas exigências do governo japonês”, afirma Thomé.
A intenção do brasileiro não é impedir que a lei entre em vigor, mas que proteja os nikkeis que já estão no país. “Eles estão criando raízes aqui e a minha maior preocupação são as crianças, os filhos desses brasileiros”, justifica o brasileiro. A religiosa Yoshico Mori, presidente da NPO Sabja, confessa que ainda não tem opinião formada sobre os planos do vice-ministro, mas aprova a iniciativa de Thomé. “Os brasileiros geralmente ficam calados, não têm o costume de manifestar. E acho que já é tempo da comunidade procurar seus direitos e tentar abrir um diálogo dentro da educação, saúde etc”, opina.
Thomé aproveitou a oportunidade que o Ministério da Justiça do Japão ofereceu àqueles que queiram opinar sobre o projeto de lei em estudo. A comunidade tem até o dia 15 de julho – prazo estabelecido pelo governo japonês – para se manisfestar.
O projeto de reforma da política migratória apresentado pelo vice-ministro da Justiça inclui várias propostas polêmicas como o fim do visto especial para descendentes de japoneses e a proibição de entrada de trabalhadores não-qualificados. Mas este é apenas um esboço elaborado pela equipe de estudos liderada por Kono e não deve ser considerado como uma posição geral do ministério. Conforme o vice-ministro falou, em entrevista concedida ao International Press, um dos objetivos de divulgar este projeto em estudos foi o de provocar discussão sobre o assunto. Para isso, o ministério está com inscrição aberta para receber opiniões por escrito sobre suas propostas.
As críticas e opiniões sobre o projeto devem ser enviadas por fax, e-mail ou correio, até o dia 15 de julho.
Endereço: T100-8977 Tokyo-to Chiyoda-ku Kasumigaseki 1-1-1 Homusho Nyukoku Kanrikyoku Kanri Kikakukanshitsu.
Fax: (03) 3592-7940.
E-mail: (nyukan42@moj.go.jp).
Os detalhes do projeto em japonês podem ser conferidos no site dob Ministério da Justiça (www.moj.go.jp).