Em outubro de 2008 os estrangeiros que trabalhavam no Japão se depararam com uma situação inesperada, a crise econômica mundial, que afetou o emprego por aqui de forma bem grave. As demissões atingiram as fábricas e afetaram o comécio dentro das comunidades. Os brasileiros viveram situações desesperadoras por aqui, pois os demitidos não conseguiam nova colocação, os que conseguiam tinham que aceitar salários bem abaixo dos anteriores e a situação do desrespeito aos trabalhadores aumentou muito, ou melhor, tornou-se regra.
Algumas fábricas que não foram tão afetadas pela crise, aproveitaram o ambiente para alegar que estavam em dificuldades e demitiram todos os brasileiros recontratando-os novamente pela metade do preço. Muita gente aceitou e hoje trabalham apenas para poderem sobreviver e sem expectaivas de melhoras.
Os governantes sofreram cobranças da sociedade preocupada com o número de estrangeiros desempregados e lançaram um projeto desumano e demonstrando toda falta de compromisso do governo japonês. Propuseram, que todo estrangeiro de origem latina ou portador do visto permanente que desejasse voltar ao seu país mas não tivesse condição receberia uma ajuda financeira de aproximadamente 3000 US$ ( 300.000 ienes), mas teria o seu visto confiscado. O governo foi criticado duramente por grupos de estrangeiros, diplomatas e inclusive pelo nosso presidente Lula. Devido aos protestos, mudaram a regra, mas ficou tudo no mesmo, foi só para inglês ver. Com a nova regra o estrangeiro que deixar o país sob ajuda governamental, pode voltar após 3 anos. Bem, isso significa perder o visto, pois pela lei de imigração, quem se ausenta do país só pode retornar se tiver um visto de re-entrada ( reentry permission ) que vale até o final do visto de permanência e quem possui o visto permanente não pode ficar mais de 3 anos fora, pois perde o status de residente permanente.
Em outras palavras, eles estão punindo os estrangeios que aqui trabalhavam e muito se dedicaram nas fábricas, por uma crise da qual todos sairam machucados. Agora, dizer que não houve preconceito ‘sabetsu’, já é de mais, vejam este caso: A esposa de um amigo trabalhava numa fábica de alimentos próxima de Utsunomiya e presenciou algo realmente humilhante. Ela trabalhava nesta fábrica há 6 anos consecutivos. Um pouco depois da crise, notou aumento na contratação de japoneses, até aí tudo bem, estão em seu país. Mais tarde ela veio saber, pela própria empregadora, que a prefeitura da cidade, estava doando 100000 ienes ( aproximadamente 1000 dólares) por cada japonês contratado por qualquer fábrica da região, imaginam o que aconteceu….? demitiram brasileiros e outros estrangeiros e contrataram um monte de japonês.
Outro fato interessante. Eu morava em Nagano e trabalhava para a NTT ( Companhia Telefônica Japonesa), a crise já se havia instalado, os empregos sumiram, mas restaram uns poucos brasileiros que acreditavam na solução rápida para o problema da crise. Então, um grupo de japoneses organizados, iam em moradias de estrangeiros, lojas de produtos brasileiros e pediam para fossem embora para seu país e não voltassem mais. Isso não é discriminação ? sim, mas o fato, é que brasileiro trabalha bem e aceita imposições que o japonês não aceita. Por isto os japoneses pedem que os estrangeiros em geral, brasileiros em especial, voltem aos seus países. Para que acabe a concorrência por trabalho e aumente as chances do cidadão local.
Mas a situação não é tão simples. Agora os japoneses estão preferindo mão-de-obra asiática. Bem mais barata com relação aos brasileiros, peruanos e outros ‘ nambei jin’ sulamericanos. Chineses, Coreanos, Vietnamitas e de outras partes da Ásia. Que estão e trabalhando a um custo extremamente baixo e vivendo em condições lamentáveis. Isso ocorre aqui no Japão, violam as leis e os tratados de direitos humanos e lucra com essa sujeira a máfia. A poderosa Yakuza, presente no cotidiano nipônico.